Ao contrário do que se imagina a princípio, o piá de prédio não mora, necessariamente num prédio. Não passa seus dias com o nariz enfiado no computador ou no playstation 3, não usa óculos fundo de garrafa e nem tem aparelho dentário com elásticos azuis. Esse aí é um nerd clássico, não um piá de prédio.
O piá de prédio é aquele que não gosta da diferença. Não gosta, evidentemente, porque não conhece, vive rodeado de conceitos de seu próprio mundo, dentro da bolha do socialmente tolerado. O piá de prédio, se pelo menos tivesse os costumes do nerd espinhento, conheceria mais do que o quadrado de sua própria família, de sua escola tradicional ou de sua roda de amigos da puc.
Por esse motivo o piá de prédio é a cara do preconceito, não gosta de gays (mulher tudo bem, fica bonito). Não conversa com o porteiro, nem com o garçon. Reproduz a certeza de superioridade que nem ele sabe que tem de tão natural que é; já que seus pais e amigos só dão bom dia pro caixa do mercado 'por educação'.
O piá de prédio não tem uma 'cara', seu correspondente feminino nem sempre usa cabelo loiro esticado (embora muitas vezes o use). O piá de prédio é mundialmente reconhecido por engolir e cagar, sem qualquer processamento, as regras do mainstream. Ele não percebe que o mundo muda a cada minuto, e que o medo da diferença tá, no mínimo, fora de moda.

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