Sabe aquele boteco pé sujo que tem na frente dos arcos de flores da Tiradentes... então, vendeu cerveja até acabar. No dia seguinte, estimulados, os proprietários descolaram um latão, encheram de gelo e de cerveja boa e barata. Venderam tudo. Devem ter tirado em dois dias a grana de um mês. Lá dentro, além dos fregueses habituais tinha meninas, mulheres, galera, famílias, todo mundo junto.
O estímulo foi a festa de qualidade, bem localizada: na rua. Ninguém podia perder, os shows eram ótimos, e os dias tavam incríveis, sol e calorzinho inesperados. O resultado foi que a cidade inteira participou. Inteira, com suas peças humanas, materiais e relacionais.
Já se falou muito sobre a importância de se ocupar o espaço público com atividades interessantes 'para que as pessoas vivam a cidade-apropriem-se dela e a tornem um espaço democrático-de convivência-e que todos os envolvidos ganham-e fomenta-se o comércio local'-e blá-blá-blá. Eu mesma já repeti esse discurso inúmeras vezes. Ver isso acontecer por aqui, porém, foi uma grande surpresa.
Evento musical aberto ao público favorece aproximar as pessoas pelo que há de comum, num espaço em que normalmente elas se afastam pelo que há de diferente. A rua tem esse paradoxo, e experimentar o lado B foi algo inesquecível. Tanto pra quem curtiu o som e o ambiente pacífico e leve que se produziu, quanto para a tia do boteco, que inteligentemente se valeu da oportunidade de tirar uma grana. Detalhe: ninguém pisou nos canteiros.
A cidade tava viva, respirando. Se ela tiver sexo com certeza gozou repetidamente durante esses dois dias.

Longa vida à cerveja barata - só precisamos de mais viradas culturais (certamente todos gozamos um monte :-)
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