domingo, 19 de dezembro de 2010
virada cultural
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
otimismo incorrigível
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
piá de prédio
domingo, 5 de dezembro de 2010
cuidado com furtos no interior do veículo
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
a velhinha do xixi
Enfim, tem um triângulo de grama com uma árvore no meio e uma pedra ao lado. Em geral quando chego aqui sempre tem alguém largado curando o porre embaixo dela. Normal, vocês diriam. Praças são o lugar ideal para isso, principalmente numa região agitada como essa.
O mais interessante, porém, é que essa praça, além de servir de cama para os junkies da área, serve de banheiro para uma velhinha bem conhecida por aqui.
Ela chega lá pelas três da tarde, sempre puxando um carrinho de feira cheio de sacolas. Plácida, arria as calças, vira de frente para a rua (o que significa virar de bunda para nós que estamos dentro da escola), segura a blusa e se alivia. Xixi? Infelizmente nem sempre. Terminado o serviço a velhinha saca da sacola pedaços bem dobrados de papel higiênico, faz sua higiene, guarda os papéis usados num outro saquinho plástico. Apruma-se, vai embora.
Melhor ainda é a reação dos transeuntes ao presenciar o ritual da velhinha. Claro, porque ela não espera ninguém passar, o banheiro é dela, para o azar dos mais recatados, surpresa dos não iniciados e risadas dos bem-humorados.
A informação que obtive é que ela tem uma casa grande aqui no centro e mora sozinha. Passa o dia circulando com seu carrinho e suas sacolas. Por que raios ela entende que a praça é o seu banheiro é a pergunta que não quer calar.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
un peu d'urbanité
Um exemplo de urbanidade: Ontem à noite entrou aqui na escola um rapaz, justamente no intervalo da aula da noite. Cumprimentou a todos os alunos, assim como a nós. Perguntamos o que ele queria. Respondeu que queria estudar. Sacou da mochila uma apostila bastante manipulada, disse que estava fazendo curso de panificação. Sorrindo mais que a boca ele abriu a apostila e nos mostrou. Disse que há vinte anos morava na rua, que estava 'limpinho' porque agora vivia num pensionato. Engrenou num papo com minha mãe, que o parabenizou pela iniciativa nos estudos. Até aí ninguém acreditava no que estava vendo, tudo muito inusitado. Uns acharam que seriam assaltados e fecharam a cara, outros se aprontaram para defender minha mãe. Mas o rapaz queria uma coisa: ser ouvido. Tá bom, tá bom. Ele queria dinheiro também, segundo ele para pagar a noite da pensão (sabe-se lá o que fosse fazer com a grana), mas assegurou que iria devolver o empréstimo. Disse ainda que voltaria, com o diploma de padeiro na mão, só pra mostrar pra ela.
Ok... solos de violino à parte, já que a questão é bem mais séria do que parece: fosse hostilizado, ou mesmo ignorado, possivelmente a grana ia parar na primeira pedra que aparecesse no caminho (mesmo porque, aqui na frente do canal do chorão não precisa procurar muito). Ninguém sabe o que foi feito do dinheiro, nunca se vai saber. Mas ao sair, o cara falou pra minha mãe: 'Eu sei falar pão em francês: é pain'. Sabe aquele ditado, violência gera violência? Então... o inverso é bem verdadeiro. Isso tem nome, é saber conviver inteligentemente em sociedade, isso é urbanidade.
sob o olhar do urubu
Nunca fui urubu. Não que eu saiba. Mas é um bicho interessante: fica lá no alto, só observando, quase um monge. Tá frio, tá calor, ele tá lá. Não gasta energia a toa, bicho perfeitamente adaptado à vida urbana. Já causou curiosidade na literatura, como no romance de Novaes, já reprimiu em J. J. da Veiga a população inteira de uma cidade.
Além do lirismo e da sátira, quando os urubus invadem os bairros das cidades eles não deixam de ser notados: não se incomodam com você mas assustam, mau agouro! Feios ou não eles são safos, espertos, e sobrevivem. Fico pensando na opinião do urubu sobre a cidade, esse ser urbano. Deve ser objetiva, pouco romântica, baseada na adaptabilidade, na realidade do movimento, das oportunidades e da transformação natural.
A idéia deste espaço é discutir os assuntos urbanos sob a ótica urubuzística: flexível, sagaz, sem drama. Opinião daquele que vive conforme a vida.
